não coube, aí vim


Já faz um tempo que não rabisco nenhum bilhete com versinhos ridículos, mas tô aqui ouvindo Teatro Mágico e Anitelli dizendo que se a carta não for ridícula, não é carta de amor, então tá tudo bem eu escrever uma bobaginha agora. Tá tudo bem passar um tempão em hiatus aqui, se quando eu volto trago o amor em tamanho maior ainda do que quando eu fui. Não tá cabendo de novo, aí vim externalizá-lo aqui, pra vocês, pra mim, pra ele.
Tá tudo bem ter passado quase o ano inteiro em silêncio porque foi um ano que começou meio torto, mas foi um torto necessário para que agora ficasse alinhado novamente. Tá alinhado desde junho na verdade. Junho que teve dia dos namorados, aniversário do marido, aniversário de casamento, trabalho novo. Então tá tudo bem.
Tá tudo bem porque a gente tem trabalhado bastante, ele principalmente, mas a nossa casa continua sendo nosso melhor lugar no mundo e a gente lar um do outro, e delezinho. O sofá tá mais confortável, cheio de almofadas coloridas e cabendo três vidas inteiras e todo amor que transborda delas. Tá tudo bem, porque a gente tá cheio de planos e esperanças pra vida e vezenquando a gente tá ali, sentado num barzinho e sonhando juntos. Ou mesmo quando estamos ali na cama, enquanto o sono não vem, em silêncio e sonhando juntos, os três. Tá tudo bem e a cada dia que se inicia e a cada sol das cinco e pouco da tarde no snapchat, tem gratidão, muita gratidão. Tá tudo bem que logo fazemos seis e depois mais seis vezes seis, porque que amor só faz conta de multiplicação.
Fazia tempo que não escrevia essas linhas tortas, mas é como disse, chega uma hora que não cabe mais aqui dentro e preciso vir aqui, rabiscar meia dúzia de palavras, repletas de meu amor por nós dois. Tá sempre tudo bem, porque é no seu coração que o meu descansa, é na sua mão que a minha se enlaça, é no seu sorriso que o meu se motiva e é por admiração ao seu caminho que dou meus pequenos passos e sei exatamente aonde quero ir e com quem quero estar. 


Fazia tempo que não aparecia, mas por ele, pra ele, 
meu coração sempre me trás de volta.

dois pra três

Amanhã é vinte e nove. É quase-quase aniversário daquele dia único que vivemos três anos atrás e que eu tanto já contei por aqui. Engraçado como olhando daqui, onde permanecemos de mãos dadas e corações colados, tudo o que temos vivido pareça do mesmo modo, tão distante e tão perto. Foi ontem que o vestido foi trocado dois dias antes e foi agorinha que desabei em lágrimas no ensaio mas, a gente vive juntos há uma vida inteira também, não é maluco isso? 
Essa semana, tentando organizar um pouco nosso armário, encontrei numa das caixas a contagem regressiva que fiz pra você: um mini calendário rabiscado num post-it cor de rosa para você arrancar um dia por vez e ler todo meu amor e ansiedade, durante cem dias. Faltavam cem e agora, já acumulamos mais de dez centenas de dias, um mais gostoso de viver com você que o outro e em cada um deles, uma casa cheia de amor multiplicado em três: você, eu, um filho peludo, uma horta, buenos aires, rio de janeiro e infinitas tardes de domingo no sofá da sala. 
Dia desses, quando você viajou por um dia e Macgyver estava de férias na casa das vovós, nossa casa ficou enorme e vazia, sobrando tanta falta de vocês, da gente, da nossa rotina tão simples e maravilhosa ao mesmo tempo, que pareceu que eu estava sozinha há semanas. Eu sinto saudades enquanto você ri da minha dramaticidade exagerada e este seu sorriso em especial é o mais lindo de todos os seus sorrisos. 
Faz tempo que queria voltar a escrever, mas que bom que eu encontrei um calendário perdido, que faz dias que estamos gargalhando das palhaçadas um do outro, que Macgyver voltou, que sobra amor e motivos pra dizer pra você, o quanto eu sou mais feliz desde vinte e nove de junho de dois mil e treze e que é uma honra enorme ser a sua esposa. 
Da sua, sempre sua, Ana

tem foto mais cheia de amor? ♥

não quero nem título


Eu sempre fui meio Maria do Bairro e isso já é um fato consumado e registrado em cartório. Tá lá, Nana Banana da Silva, a própria tempestade no copo d'água, que transborda a cada pequeno mimimi da vida. Tá certo que a gente melhora com o tempo, a vida, ela acontece e exige da gente uma baita duma cara de pau pra encarar tudo dessa tal fase adulta. Mas, (há sempre um mas), vez ou outra, cá estou eu, aos onze, doze anos carregando uma ansiedade do tamanho do universo, esperando demais do futuro e escondendo lágrimas na água do chuveiro e implorando, pelamordeDeus, por uma luz no fim deste imenso túnel. 

Meses atrás, li e favoritei um livro que contava a história de uma menina de doze anos que estava programando seu suicídio e, no mesmo dia, (claro que antes) um incêndio no apartamento dos pais. Tô com isso meio engasgado ainda, sabe? Eu, com essa idade, achava sim que o mundo era enorme e me engoliria e eu não aguentaria, tinha pensamentos horríveis ao pensar que não valia nada e pra aliviar, escrevia sem parar num caderno amarelado roubado da mãe. Eu era mais que maria do bairro, eu era meio depressiva e, só depois de muito tempo fui perceber isso. Eu tinha o sonho de modelar (era enorme pra idade e botaram uma tonelada de expectativas sobre a mini nana), não comia pra ficar magérrima e passar nos testes. Fiquei um palito, era o bambu de pegar estrelas, a girafa feia e claro, ainda assim era gorda demais. (?) Por outros motivos, grandes e pequenos, me afogava todos os dias em lágrimas na escola e, aos poucos, eu era a menina chorona que sentava no canto da sala. O mundo sempre foi enorme demais e eu, um cisco.

A menina do livro fala uma coisa que sempre ficará matutando na minha cabeça agora, mais ou menos assim: as pessoas deviam contar as crianças mais coisas, explicar a elas o mundo. A gente passa a vida inteira tentando apanhar as estrelas e acabamos todos, dentro de um aquário. (!!!!!!!!!!!!!!!!) Expectativas, minha gente, pra quê que essas miseráveis tem que acabar com a nossa sanidade quando criança e mais ainda, agora, na vida adulta. 

Durante os cinco anos da faculdade criei um elefante de expectativas pra cada célula do meu corpo, fiz um milhão de planos por metro quadrado e, um ano e dois meses depois do fim, cá estou eu aos doze anos afogada no mar de ansiedade que criei e recriei. Ninguém senta com a gente e explica que o tempo é diferente pra cada pessoa e que as vezes, o caminho é um pouquinho mais longo e dolorido pra alguns, mas que nem por isso a gente precisa se preocupar tanto, porque tá tudo bem você demorar um pouco mais que o coleguinha e que isso, de maneira nenhuma, significa que você é o cocô do cavalo do bandido. Ninguém senta pra gente e diz que tá tudo bem você não querer o cargo de chefia, um salário milionário e só querer o suficiente pra viver bem e ter uma família saudável e por amor, querer estudar mais e dar aulas num país como o nosso. Ninguém ensina a gente a dizer pros outros que você se formou mas que agora, está aprendendo numa área um pouco diferente da sua, mas que isso não te diminui, que não significa que os cinco anos de estudo foram jogados ao vento, que os dois estágios (mais aulas à noite) (mais terceirizados nas madrugadas e finais de semana) carregados a duras penas nas costas foram desperdiçados, que a nota 100 do trabalho final de graduação (mais indicação da banca pra um concurso de estudantes de arquitetura) não foram merecidas. Tá tudo bem não querer correr atrás das estrelas porque o que muita gente quer é ficar aqui na grama, brincando com tatu-bolinha (enrola-desenrola), ao menos por agora.

Mas sempre tem aquela tal de expectativa, que adora se juntar com a ansiedade num monstro enorme e vir atormentar nossa recente descoberta vida adulta. Não sei vocês, mas me sinto correndo numa esteira enquanto a vida de todo mundo acontece, como se só eu (#diferentona), não saísse do lugar e isso as vezes é tão grande como quando se tem doze anos, engole mesmo a gente e suga nossa alma a conta-gotas. E é uma merda enorme não se sentir alguém digno de admiração por isso, enquanto só preciso de tão pouco para me sentir realizada. Minhas estrelas estão tão perto: dorme doutro lado da cama, tem quatro patas, moram em três no interior, chamam pra beber uma cerveja de vez em quando e torcem pro meu aquário ser confortável o suficiente para meus pequenos - grandes - sonhos. E que no fim, ele nem precisa ser de cristal com corais decorativos falsos bonitinhos. 

Talvez, esse bando de letras que derramei aí em cima, me façam parecer acomodada. Talvez, só me façam parecer cansada de querer sempre tanto tão rápido enquanto o que realmente se precisa, é de uma grama pra se rolar mais leve. (e nem precisa ser verdinha, que depois a gente cuida).